A respeitada figurinista Paula Iglécio nos revela tudo sobre sua profissão.

Estava eu andando por São Paulo e pensei: “ Não posso deixar de ir no MASP!”, chegando lá descobri um conceituado curso de uma moça que eu já conhecia o trabalho e a qual tenho grande consideração: Paula Iglécio.
Paula é uma respeitada figurinista, assinou grandes projetos tanto na TV como no cinema. A moça também esteve à frente de projetos de grandes publicações como VOGUE BRASIL, ELLE, CLAUDIA, VOGUE FRANCESA e outras.
Ela fala sobre seu trabalho, nos mostra seu olhar sobre a moda e sobre o Figurinismo. E levanta o questionamento da falta de cursos na área aqui no Brasil.
Vale apena conferir.
Como você foi que começou seu interesse em desenvolver figurinos?
Na verdade fui bailarina, e desde criança sempre gostei de bordar, pintar e reinventar os figurinos de Ballet. Depois disso acabei fazendo Faculdade de Comunicação, e fui trabalhar com Moda , na Revista Claudia, quase que por acaso. Este universo me interessou bastante, e aí comecei minha carreira na moda. Depois de assistente de produção de moda na Revista Claudia, fui trabalhar como produtora de Moda na Revista Vogue. Senti a necessidade de aprimorar meus conhecimentos e principalmente aprender a desenhar. Fui para Paris fazer um curso de desenho de moda, e lá acabei trabalhando Vogue Francesa. Foi incrível! Mas, sentia uma necessidade de criar e junto com o trabalho fiz um curso de Figurino de ópera, na Opera Garnier. Aí pirei!!! Queria fazer figurino de qualquer jeito. Voltei pro Brasil, trabalhei na Revista Elle, mas não me encontrei mais… Então fui ser produtora de figurino do “Castelo Rá-tim-bum”, uma série infantil da TV Cultura. E desde então, nunca mais abandonei os figurinos!
Como você vê o mercado do figurinismo no país?
Acredito que seja um mercado em desenvolvimento. Já avançou bastante, mas ainda não é uma profissão estável. Hoje você pode criar figurinos para Tv, Cinema, Internet, eventos, teatro, etc. O campo abriu, mas ainda existem poucas vagas, principalmente para as pessoas que já estão no mercado há algum tempo.
Você trabalha com vários artistas ao mesmo tempo, varias historias,
diversificadas personalidades. Você permite que os artistas interfiram na
produção da imagem de moda dos personagens?
Sim. é importante ouvir o ator. Afinal é ele quem veste o figurino. Costumo dizer que o figurino é a “pele” do ator, e ele tem que se sentir bem vestido nesta “pele”. Mas, não podemos deixar que o ator mude o nosso projeto. Já que este projeto foi elaborado a partir de conversas e solicitações da direção. O ator “aparece” para acrescentar, e enriquecer este projeto, a partir de considerações, que devem ser respeitadas.
Conta Tudo! Como você desenvolve sua pesquisa do figurino?
Como já disse, o nosso projeto de figurino começa quando lemos um roteiro, e depois temos várias conversas com a direção e a direção de arte. Aí, iniciamos a pesquisa. Se é um trabalho de época, partimos de livros, documentos, álbuns de família, pesquisa na internet, etc. Se é um trabalho atual, partimos de referências do dia-a-dia. Gosto de fazer a pesquisa na rua – moda de rua – e também visitar casas das pessoas, locais de trabalho, etc. Procuro referências em revistas – tanto de moda como de comportamento-, livros, internet, etc. O tempo todo o figurinista está pesquisando. Não importa se é um trabalho de época ou não.
Como você vê a influencia que o figurino televisivo tem sobre a população
em geral?
Tem influência e muita! Basta uma bacana da novela da Globo usar um adereço especial, e toda a população vai atrás daquilo. Acho interessante este fenômeno no Brasil. Acredito que todos ganham com isto! Desde a própria loja que veste a personagem, até os “genéricos” encontrados nas lojas de atacado e lojas mais populares.
Qual sua percepção sobre a quantidade e a qualidade dos cursos de moda em geral e também do cursos mais específicos ligados ao figurinismo?
Cresceu muito o número de escolas de Moda. Algumas são melhores que outras. Mas acho que ainda falta. Principalmente em relação ao figurino. São poucas as escolas de moda que dão ênfase a este segmento. Muitas assistentes, formadas em Moda, não têm a menor noção do que é fazer um figurino!
Quais os cursos e instituições que você recomenda para quem tem interesse em trabalhar com o figurino?
Não gostaria de citar nomes. Mas, pelo menos em São Paulo, não conheço uma faculdade voltada para o Figurino.
Parece que no Rio de Janeiro tem alguma coisa…
Paula como qualquer trabalho em algum momento você deve ter dito dificuldades. Qual o artista que deu maior problema em relação ao figurino?
Acredito que todo figurinista já tenha tido problema com algum ator! Mas isto é uma etapa do trabalho, até o próprio ator sentir segurança no seu trabalho. Na verdade, prefiro contar os atores que ajudaram a realizar o meu trabalho da melhor forma possível, entre eles: Betty Faria, Bruna Lombardi, Lucélia Santos, Denise Fraga, entre outros.
Depois dessa resposta elegantérrima. Me fala sobre os cursos que você ministra. Qual a sua didática, como você os trabalha?
Resolvi montar um curso livre de figurino, pois percebi que existia esta lacuna no mercado. Dou o curso de Figurino no Museu de Arte Moderna de São Paulo há 06 anos. Foi um dos primeiros. Hoje já temos outros em São Paulo. Mas o meu continua lotado! Graças a Deus!!! rs,rs,rs…
O curso é voltado para qualquer pessoa que tenha interesse em figurino, moda ou estética. Não exijo requisitos anteriores. Ele é bem mesclado, tem uma parte teórica, incluindo a história da indumentária, estudo das cores, metodologia de um projeto, e também a parte prática, onde trabalhamos a partir de roteiros de cinema e televisão. Aliás é bom lembrar, que não incluo o Teatro neste curso.
Quer conhecer mais o trabalho da gata? Acessa o site dela lá você encontra diversos projetos executados por ela.






