Papiers à la mode – 400 anos de história da moda em papel

Acompanhando a exposição Papiers à la Mode – cuja autoria é da artista belga Isabelle de Borchgrave, com colaboração da figurinista canadense especializada em ópera, Rita Brown – , apresentada no Museu de Arte Brasileira da FAAP entre outubro e novembro de 2008, o livro apresenta cerca de quatrocentos anos da história da moda por meio de trajes de personagens célebres, criações de estilistas ou pelas vestes anônimas de cada momento, todos confeccionados apenas com papel.

A exposição já passou pelo Victoria & Albert Museum, em Londres e pelo Fashion Institute of Technology, em Nova York.

Isabelle de Borchgrave estudou na Academie Royale e no Centre dês Arts Decoratifs de Bruxelas. Há trinta anos dedica-se às artes. Em 1994, deu início ao projeto Papiers à la mode com a designer canadense Rita Brown, e hoje é uma autoridade no uso desse material.

Somente dois tipos de papel são utilizados por Isabelle de Borchgrave: o papel de embrulho comum, também usado pelas costureiras para cortar moldes, e o papel fino, prensado, normalmente utilizado para limpeza de lentes e instrumentos óticos. Usando apenas tintas e a técnica de tromp l’oeil, Isabelle reproduz com perfeição tecidos, bordados e estampas de vestes históricas. Já Rita Brown é responsável por dar forma tridimensional às peças.

A artista belga consegue transformar o papel em diferentes tecidos por meio de procedimentos como pintura, plissagem, modelagem e colagem, utilizando sobreposição de camadas de tintas, pincel, carimbo e estêncil.

O resultado é tão próximo da realidade que, à primeira vista, tem-se a impressão de que o intuito é meramente fazer um tour pela história da moda. Mas é bem mais do que isso. Nestas pinturas transformadas em esculturas, aparecem questões sobre a passagem do tempo, o envelhecimento do tecido, a transitoriedade do papel, a impermanência da moda, entre outras.

Como diz o texto de Denise Pollini, no catálogo da exposição: “ao recriar modelos significativos da história da moda no papel, retirando, como a própria Isabelle afirma, a morbidez da memória do corpo que os habitou e a lembrança da perda, ela retira também o aspecto frenético da moda e nos apresenta a possibilidade da contemplação. (…)

Como se pudéssemos parar por um instante o carrossel delirante da moda e, na superfície, dar-nos a conhecer o vestido abajur de Poiret, as múltiplas cores de seda plissada de Fortuny, a sutileza de um padrão, de um dobra”.

“Ao recriar um modelo, Isabelle nos apresenta a verdade secreta presa à superfície, à espera de um olhar atento para revelar-se.”

De fato, a superfície não deve ser desprezada, pois ela é capaz de nos revelar uma infinidade de coisas. Aqui, vale lembrar a célebre frase de Oscar Wilde: “Somente as pessoas superficiais não julgam pelas aparências. O mistério do mundo está no visível, não no invisível.”


Para saber mais sobre o livro clique na imagem:

papiers a la mode


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Fonte pesquisa: Biti Averbach

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